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Aracelli, Meu Amor - 18 de maio de 1973

Oi pessoal,

estou passando para falar de uma coisa muito séria: o Abuso e a exploração sexual de crianças e Adolescentes.
Hoje, dia 18 de maio é o Dia de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, é uma data nacional e foi escolhida 20 anos após o do crime que aconteceu contra Aracelli Cabrera Sanches Crespo (02 de julho 1964 - 18 de maio de 1973).

Aracelli (significa altar celeste), brasileira, nascida em Vitória/ES. Uma menina meiga, alegre, morava em uma casinha no bairro de Fátima, em Serra/ES (na rua que hoje tem o mesmo nome da menina). Era filha de Gabriel Crespo e da boliviana Lola Sanchez. Tinha um cachorro, chamado Radar (colocou esse nome, pois dizia que ele a encontraria em qualquer lugar). Estudava no Colégio São Pedro, e na sexta-feira, dia 18 de maio de 1973, não chegou no horário que normalmente chegava em casa, e com o passar das horas, a preocupação foi aumentando.

O Sr. Gabriel Crespo, pensando em sequestro, foi à delegacia dar queixa do desaparecimento, entretanto, as providências só começaram a ser tomadas na segunda-feira (não é de hoje que em final de semana não se resolve nada). Nesse interím, o pai de Aracelli distribui fotografias nas ruas e em jornais, na tentativa de encontrar uma pista do paradeiro da filha. Procurou a professora, que disse ter deixado a menina sair mais cedo, após um solicitação feita pela Sra. Lola, mãe de Aracelli.

Sobre o que realmente aconteceu, até hoje não é esclarecido. Muitas pessoas envolvidas em investigações do caso foram assasinadas, como uma "queima de arquivo".
Entre as várias histórias contraditórias que pesquisei, uma delas apontava a mãe de Aracelli como viciada e traficante, e que nesse dia tinha enviado um envelope para que sua filha entregasse a Jorge Michelini (tio de um dos acusados), após a saída da escola, no 8º andar no Edifício Apoio - ainda em construção- no centro de Vitória. Lola, era um contato da rede de tráfico Bolívia- Brasil. Foi embora para seu país de origem alguns anos após o ocorrido. O pacote carregava drogas e seriam entregues a Paulo Helal, "Dantinho" (Dante Michilini) e outros que se drogravam no local. Ao levar o envelope a menina havia sido utilizada para satisfazer sexualmente os presentes. O pior, é que a mãe de Aracelli sabia do desejo que os rapazes tinha em "brincar" com a garota. Segundo o autor do livro Aracelli, meu amor: "Ela chegou, foi agarrada e não saiu mais com vida".

Após seis dias do desaparecimento da garota, um rapaz foi caçar passarinhos atrás do Hospital Infantil da região, e ao sentir um mal cheiro se aproximou e percebeu se tratar de um corpo, que já estava em estado de decomposição, muita parte já tinha sido devorada por animais, e estava irreconhecível, pois para dificultar o reconhecimento da vítima, jogaram ácido. Inclusive, peritos precisaram "peneirar" muita coisa no terreno, para poder encontrar dentes e outras partes do corpo encontrado. Aracelli foi espancada, dopada, estuprada, estrangulada e "morta numa orgia de sexo e drogas", tinha marcas de dentadas em seus seios, barriga e região pubiana. Seu queixo, deslocado comum golpe e o rosto e corpo desfigurados com ácido. Esses rapazes tinham guardado por dias o corpo em um freezer da boate de Jorge, tio de Dantinho.

O pai de Aracelli foi ao Intituto Médico Legal - IML, junto com o Radar, para fazer o reconhecimento do corpo. Radar foi direto na gaveta que a menina estava. Como Aracelli pensava: ela a encontraria em qualquer lugar.

Em agosto de 77, Paulo Helal e "Dantinho" foram presos pelo assassinato de Aracelli, mas receberam um habeas corpus em outubro do mesmo ano e nunca mais foram presos. O juiz que os soltou, no mesmo mês, coincidentemente, foi promovido a desembargador. Em 1980, foram julgados e condenados, mas a sentença foi anulada. Em 1991, os réus foram absolvidos. O crime prescreveu.

Os suspeitos do crime eram pessoas ligadas a duas famílias ricas do Espírito Santo. Os nomes dos envolvidos do caso eram Paulo Constanteen Helal, conhecido como Paulinho, e Dante Michelini Júnior, conhecido como Dantinho. Dante era filho do latifundiário Dante Michelini, influente junto ao regime militar,enquanto Paulinho era filho de Constanteen Helal, de família igualmente poderosa. Eles eram conhecidos na cidade como usuários de drogas que violentavam meninas menores de idade. O bando teria sido responsável também pela morte de um guarda de trânsito que havia lhes parado.

Inclusive, tentaram forjar provas para incriminar uma outra família que não se davam bem. Dante Michilini, pai de "Dantinho", fez de tudo para livrar o filho das acusações, inclusive, reportagens do Globo Reporter da época, mostra um depoimento do delegado que havia recebido cheques para que desse outro rumo às investigações, o sargento José Homero que estava terminando as investigações foi morto por colegas de trabalho, jornalistas mortos ao investigarem o caso... até hoje o assunto gera medo e revolta na cidade.

Segundo o relato de José Louzeiro, autor do livro Aracelli, Meu Amor, o caso produziu 14 mortes, desde possíveis testemunhas até pessoas interessadas em desvendar o crime. Ele próprio, enquanto investigava o crime em Vitória para produzir seu livro-reportagem, teria sido alvo de "queima de arquivo".

De acordo com ele, um funcionário de hotel, pertencente à família Helal, teria lhe alertado de que estava correndo risco de morte. A partir de então, Louzeiro passou a preencher ficha num hotel e se hospedar em outro.

A testemunha chave do caso foi Marisley Fernandes Muniz, antiga amante de Paulo Helal, que declarou que Aracelli fora violentada e dopada com forte dose de LSD, à qual não resistiu. O corpo da menina Aracelli permaneceu no Instituto Médico Legal de Vitória até outubro de 1975, quando foi enviado para autópsia no Rio de Janeiro, sendo sepultado no ano seguinte, 1976, em Vitória. O perito carioca Carlos Eboli constatou que a causa mortis fora intoxicação exógena por barbitúricos, seguida de asfixia mecânica por compressão.


Sou bacharel em Turismo, e como já havia feito o trabalho numa ong (CIAF - Centro Integrado de Apoio Familiar), onde conscientizávamos empresas e funcionários do Trade Turístico em relação à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Um trabalho muito bacana, já que muitos utilizam os recursos e equipamentos da atividade turística para explorar e fazer coisas ilícitas.
Quando fiz meu TCC - Trabalho de Conclusão de Curso, escolhi um tema relacionado com esse assunto. Foi quando soube do caso da Aracelli. E todas às vezes que lembro me dá arrepios, parece um roteiro de filme de terror. Essa menininha linda, que tinha uma vida toda pela frente, hoje, inclusive, seria um pouco mais velha que eu, foi morta pelos mais nojentos desejos.
O que me deixa mais triste, é que as estatísticas nos mostram que por hora, várias "Aracellis" sofrem abuso, violência física, psicológica, sexual, são mortas, são vítimas de uma sociedade que não corre atrás dos seus direitos e muito menos cumprem seus deveres. Sei que existem exceções, pessoas que buscam formas de proteger outras, mas são muito poucas.

Hoje, o crime Aracelli é usado para nos alertar sobre o que tem sido feito com as nossas crianças. Quantas vezes reclamamos do governo aqui, dos governantes acolá... o problema está ao nosso lado e não fazemos nada para mudar, só cruzamos os braços.

No artigo 227 da Constituição Federal Brasileira, diz o seguinte:
"É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito a vida, a saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivêcnia familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão"

Sempre que leio esse artigo, me pergunto: Que prioridade temos dado às nossas crianças? Quais dos direitos elas realmente desfrutam?
Talvez o "Direito à vida", que se não for agregado aos outros direitos, não sei bem a vantagem de tê-la.
Respeito??? Liberdade??? Saúde??? Educação??? Lazer??? Profissionalização???
Convivência familiar??? Não sei bem ao certo se muitos sabem o que isso significam, com tantas famílias desestruturadas, sem amor, sem respeito, sem atenção.
Colocá-las à salvo de: Exploração, violência, CRUELDADE????

Diariamente nos deparamos com os mais diferentes tipos de violência contra nossas crianças. Eu digo que "se uma criança apenas no mundo fosse violentada, abusada, explorada... já seria um número absurdo" e esses números, por dia, são muito maiores que esse.

O mundo a cada dia tem ficado mais violento, imagine o que será dele quando nossas crianças crescerem?

Vou escrever mais sobre esse assunto. Uma postagem não é suficiente.
Mas, queria tocar o coração de vocês, repassem para seus conhecidos. Mudar o mundo é dificil, mas se começarmos a mudar as coisas à nossa volta já será um ótimo começo. Imagine o resultado se todos resolverem fazer isso???

Hoje em dia, você não precisa se identificar para fazer uma denúncia. Se souber de qualquer crime contra uma de nossas crianças, DISQUE 100. É gratuito e sigiloso.




Uma beijoca. Depois conversamos mais sobre o assunto.

Fiquem com Deus

Comentários

  1. Meus queridos, uma amiga sempre manda comentários sobre minhas postagens por email. Achei interessante expor o último que recebi dela. Júlia expressou

    ------------
    Não conhecia o caso. Um absurdo msm. É um alerta a sociedade.
    O que mais me impressiona, é se realmente tiver sido a mãe dela. P/ mim, mãe é algo sagrado. A pura representaçao do amor verdadeiro.
    Uma das mais belas dávidas que DEUS pôde nos (mulher) dar.
    E hoje, infelizmente estão destroindo isso. A cada dia, uma nova notícia. Mães que abandonam, quem vendem, que violentam, quem matam...

    Que DEUS nos salve. E nos use como instrumento para mudar um pouquinho desse mundo louco. Esse mundo de cão. =//

    Bjus Gil

    ------------------

    Beijocas, amigos. Fiquem com Deus

    ResponderExcluir
  2. Li o livro Aracelli meu amor quando era criança, e nunca mais esqueci.
    É dever de toda a sociedade proteger as crianças, não podemos nos abster e achar que é dever apenas do estado.

    ResponderExcluir
  3. Olá, tudo bem? Nas minhas andanças pela net vim parar aqui na sua página. Conheci o caso Aracelli na minha adolescência, quando tive contato com o livro pela primeira vez. Mas se eu te contar que só nesse ano tive coragem em ler. É uma história realmente chocante, e mais ainda, é saber que os próprios pais abandonaram o corpo no IML. Fiquei impressionada com o desenrolar dos fatos e muito revoltada por não ter-se feito justiça, como Aracelli merecia.

    ResponderExcluir
  4. Olá! Tudo bem? Gostei da postagem e como também estou fazendo meu TCC com este tema, gostaria de saber se vc pode me ajudar me enviando qualquer material que ainda tem sobre o caso. Tentei enviar-lhe por e-mail esse pedido mas não consegui. Meu e-mail é monicalexandrino@hotmail.com Obrigada e parabéns pelo post!

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