sábado, 9 de outubro de 2010

NÃO INDICO: Praia do Forte Hostel

Oi pessoal,

infelizmente, minha última postagem "[Utilidade Pública] Percevejos-de-cama" não foi um assunto escolhido aleatoriamente. Mas antes de dar o meu depoimento, eu queria ter o cuidado de passar o máximo de informações possíveis pra vocês.

Então, segue meu relato:

Semana passada (de 27/09 a 01/10), realizei uma visita pedagógica Recife/ Aracaju/ Praia do Forte/ Recife com as turmas do primeiro, terceiro e quinto período de Hotelaria da UFPE – Universidade Federal de Pernambuco. A viagem foi ótima, as visitas técnicas foram muito produtivas e aprendemos muito. A viagem poderia ter sido perfeita pra mim se não fosse um episódio percebido no ultimo dia.

Me preparando para voltar a Recife no dia seguinte... fui arrumar minha bagagem (noite de quinta-feira, 30/09) e acabei cochilando na cama. No quarto (fiquei hospedada no quarto “golfinho”), só estávamos eu e outra amiga, os demais estavam numa confraternização do grupo lá fora. Acordei por volta das 0h15min (sexta, dia 1ºoutubro) e fui tomar banho. Encontrei dois percevejos na toalha e matei. Quando voltei para a cama, percebi que havia vários bichinhos, de diversos tamanhos, iguais ao da toalha espalhados nas duas camas da beliche. Mexi nos travesseiros, tinha bichinho dentro e fora da fronha, no protetor de colchão, no colchão etc.

Acordei minha amiga para que ela olhasse a cama dela enquanto eu ia à recepção falar com o rapaz o que estava acontecendo. Enrolei uns percevejos num papel higiênico e fui falar com ele que o quarto estava empestado de percevejos. O recepcionista me olhou com cara de espanto e disse:

- Nossa! Como pode. Aqui foi dedetizado semana passada, não tem como isso acontecer. E os colchões são novos, trocamos mês passado. Você viu? Então, não pode ser.
- Pois é, achei esses no apartamento, matei alguns (nesse meio tempo já tinha matado outros) e tem mais andando pelas camas e parede. Vocês precisam tomar cuidado, isso pode transmitir alguma doença. Tem outro apartamento? Eu preciso avisar as meninas que estão no mesmo quarto que eu.
- Não temos outro apartamento, está tudo ocupado. E isso nunca aconteceu aqui, é a primeira vez que isso aparece. Veja lá o que pode fazer e se não conseguir resolver me procure de novo.

Voltei irritada para o quarto, pois além de me chamar de mentirosa (dizendo que não era possível isso acontecer, pois haviam dedetizado), não ligaram de nos mudar de quarto.
Tentei acordar nossas professoras, mas não consegui. Quando estava passando perto da recepção, o recepcionista e um outro rapaz que trabalha lá estava rindo, e ouvi quando um falou: “Hum, cuidado. Podem chamar a polícia. Kkkkkkkk”
Eu e minha outra amiga fomos a outro quarto onde estavam reunidos outros amigos da nossa turma e a colega da equipe de meio de hospedagem (equipe que contratou o albergue) estava. Ela ficou indignada com o descaso e foi até a recepção.

- Moço, como é que ela vem reclamar que tem bichos no apartamento e você não faz nada? Me dê a chave de outro apartamento para que elas possam dormir lá.
- Não tenho.
- Você sabe que naquele quarto tem uma grávida? Já pensou se esse bicho pica e ela tem algum problema?

E nisso ela virou para olhar a tela do computador, em que estava ligado o sistema. Na página de controle dos apartamentos ela percebeu que tinha uns 7 ou 8 apartamentos em azul, ou seja, em manutenção.

- Moço, como você disse que não tinha apartamento disponível? E esses em manutenção?
- Estão fechados, pois estamos com uma praga de percevejos neles e estão sem condições de uso.
- Mas você não disse que isso nunca tinha aparecido aqui? Como é que agora aparecem vários apartamentos com pragas?

Ele ficou calado e ela voltou para o apartamento. Muita gente iria passar a noite em claro, para ter sono e dormir o dia todo no ônibus. Então, dormimos no quarto de outras amigas.

Caramba, me senti desprotegida em determinado momento. Sou da área de turismo, já trabalhei em recepção do hotel e até com umas coisas que não estavam relacionadas com o hotel eu me preocupava em ajudar o hóspede. Acho que esse é o nosso papel. O turista visita uma cidade onde não conhece nada, não sabe quem ou o quê procurar. A gente tem mesmo é que dar assistência.

Sempre prezo pelo bom atendimento. Em qualquer setor de prestação de serviços isso é essencial. Com certeza, se o recepcionista tivesse nos mostrado uma outra postura com a apresentação do problema, eu nem estaria escrevendo minha indignação a vocês. Mas ele mentiu, ironizou, não ligou etc.

Como no nosso quarto havia duas meninas de outro período, o assunto se espalhou rapidamente e muitos foram ver o quarto. Nisso, eu e essa amiga que está grávida já estávamos acomodadas no quarto de outras amigas.

Senti coceira no dia anterior, mas achei que podia ser da água. Depois do episódio, senti coceira na viagem de volta, principalmente nas pernas, mas achei até que era psicológico porque me lembrava daqueles bichinhos nojentos andando pela cama.

Na terça-feira, dia 05/10, senti uma coceira próxima ao cotovelo e tinha umas duas erupções na pele, cocei um pouco, achei que tivesse sido alguma muriçoca. Não liguei.

Noite de quarta-feira, dia 06/10, o dedo do meio do meio pé estavam com algumas erupções na pele e coçando muito, outro ponto foi a sola do pé. Continuei achando que tinha sido muriçoca.

A madrugada de quarta para quinta foi horrível, meus pés coçavam muito, não consegui dormir direito. Na manhã da quinta-feira, meus dois pés estavam cheios de manchas vermelhas, subindo um pouco pelo tornozelo.

Eu ia até resolver umas coisas no centro da cidade, mas preferi ficar em casa. Não tenho histórico de alergia, na verdade, aos oito anos tive uma reação alérgica ao comer ervilha, tratei e melhorei, de forma que hoje como ervilhas normalmente. Mesmo não comendo nada fora do normal, ainda achei que podia ser alergia a algum tempero ou comida.

No final da tarde da quinta-feira, minhas duas pernas estava cheias de erupções, na verdade feridas mesmo. Tomei antialérgico e nada resolveu. A coceira e as feridas só aumentavam.

Lembrei do ocorrido no Albergue da Juventude da Praia do Forte/BA e comecei a pesquisar na internet sobre percevejos e muita coisa batia com o que estava acontecendo comigo.

Fui a uma emergência. As médicas se assustaram de como minhas pernas estavam, fora os pontos que apareceram nas costas. Lembro que a primeira pergunta foi:

- Menina, você tem cachorro, gato ou outro bicho em casa? Alimentação não faz isso.
- Respondi que não e falei que havia feito uma viagem e expliquei tudo o que aconteceu.
- Então tá explicado. Foi por conta das picadas dos percevejos. Vou passar uma pomada, mas agende um dermatologista para ver isso.

Inclusive, depois de me orientar sobre o medicamento e cuidados com a pele, ela me perguntou onde foi que isso aconteceu, pois nunca queria ir a um lugar desses.

Juro que já tinha esquecido aqueles bichinhos horríveis, mas lembrei o descaso. Muitas outras pessoas podem ter sido afetadas e, por falta de informação, nem sabem o que está acontecendo. Espero que a divulgação do que aconteceu comigo possa fazer com que eles repensem a forma com que tem tratado seus clientes. Outra coisa importante é passar informação sobre esses percevejos: origem, como evitar, como acabar com a praga etc., também quero que as pessoas tomem conhecimento.

Quero deixar claro que estou reclamando do prestador de serviço: Praia do Forte Hostel. Isso não significa que devemos generalizar, muitos albergues oferecem bem seus serviços. O próprio albergue tem uma estrutura bem legal, mas pecou no atendimento e mesmo na questão de higiene e saúde. Da mesma forma que houve negligência numa praga de percevejos, poderia ser numa praga de pulgas, carrapatos etc.

Penso no caso da minha amiga que está grávida, numa criança ou mesmo outras pessoas que tenham alergias ou outras coisas que pudessem gerar um problema muito maior. Num grupo de 46 pessoas, fui a escolhida. Mas poderia ter sido qualquer um.

Então, divulguem, para que problemas do tipo não se repitam.

Seguem algumas fotos minhas.

Ah, havia me esquecido de colocar o link do hotel

3 comentários:

  1. menina, que horrivel... vc tem que procurar o procon ou o pequenas causas. não pode deixar por isso mesmo, principalmente depois do descaso doprestador de serviço.

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  2. Flor, que horror viu!!! Eu acho que vc aceitou muito numa boa essa situação, se fosse comigo na hora que o recepcionista ironizasse eu pedia para chamar o gerente....já que ele falou em chamar a polícia eu chamava a fiscalização, espalhava entre os outros hospedes, sei lá, mas não deixava isso assim não....Nossa, fiquei indiguinada com seu relato. Bjim e espero que esteja melhor!

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  3. Gilmara, lamento que tudo isso tenha acontecido com você. Meus alunos não comentaram sobre o caso do percevejo após a excursão. Fiquei sabendo do seu problema hoje por Lourdes e Viviane. Soube que você já ligou para a Vigilência Sanitária e denunciou o caso para a Federação dos Albergues e está no aguardo. Espero que sua recuperação seja breve.

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